Sobre essas coisas http://renatoguedes.com.br Educação, Psicologia e Tecnologias Fri, 14 Oct 2016 14:11:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.5.9 Teoria da Resposta ao Item para Educadores http://renatoguedes.com.br/2016/10/01/tri_para_educadores/ http://renatoguedes.com.br/2016/10/01/tri_para_educadores/#comments Sat, 01 Oct 2016 05:02:08 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=1 Esse é o primeiro resultado concreto da parceria entre o Sobre Essas Coisas e o Zigo Educação – Centro de Pesquisa e Inovação. Diferentemente dos cursos baseados em vídeo-aulas, o curso Teoria da Resposta ao Item (TRI) para Educadores veio para desmistificar a TRI. Trata-se de um curso prático, realizado a distância, que abordará de forma clara e objetiva a TRI, a elaboração de itens na sua perspectiva e demonstrará como podemos tirar proveito dessa abordagem mesmo não sendo especialista em psicometria. É um curso idealizado para turmas pequenas em que farei a mediação direta com os participantes e a promoção de discussões junto ao grupo sobre os trabalhos e resultados alcançados.

Voltado para acadêmicos e educadores de todas as áreas, esse curso permitirá a seus participantes compreender a TRI, os aspectos essenciais para a elaboração de itens nessa perspectiva e ainda ter a oportunidade de criar, aplicar e analisar os resultados de um teste real dentro da sua área de interesse.  Por se tratar de um curso de nível básico, os aspectos técnicos da TRI não serão supervalorizados, tornando-o um curso agradável e compreensível mesmo para aqueles que não tenham tido qualquer contato com a TRI anteriormente.

Ao final do curso, os participantes serão capazes de compreender a lógica de funcionamento da TRI e estarão aptos a elaborar questões e testes tendo em mente essa importante teoria sem que seja necessário utilizar ou se preocupar com algoritmos e estatísticas. Além disso, os participantes farão uso de uma ferramenta (software) de apoio à construção e avaliação de testes que poderá continuar sendo utilizada mesmo após o término do curso sem qualquer custo adicional.

Obedecendo a perspectiva geral de cursos personalizados da Zigo Cursos, os participantes terão apoio individualizado para que consigam construir e aplicar seu próprio teste junto ao seu público (normalmente, alunos), avaliando, posteriormente, os resultados em conjunto com a turma. O cursista também poderá interagir nas discussões quanto à construção e análise dos resultados obtidos nos testes compartilhados pelos demais participantes.

Informações e inscrições no site http://zigocursos.com.br/course/teoria-da-resposta-ao-item-para-educadores/

São poucas vagas, aproveite.

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/10/01/tri_para_educadores/feed/ 1
Tecnologia educacional: atividades interativas com HyperDuino http://renatoguedes.com.br/2016/09/27/tecnologia-educacional-atividades-interativas-com-hyperduino/ http://renatoguedes.com.br/2016/09/27/tecnologia-educacional-atividades-interativas-com-hyperduino/#respond Wed, 28 Sep 2016 02:40:29 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=150 Zigo Educação apresenta o HyperDuino, um recurso que facilita (e muito) o trabalho com tecnologias educacionais, em especial atividades interativas baseadas em STEM.

….

Há tempos acompanho o trabalho de Roger Wagner, um versátil mentor de produtos educacionais que, entre outras habilidades, foi reconhecido em 2015 pelo Mimeo Educator como uma das 20 pessoas mais influentes em Tecnologia Educacional nos Estados Unidos (Top 20 Influencers in Education Technology).

De uma forma geral, a característica marcante dos produtos concebidos por Roger é colocar o aluno como protagonista do seu aprendizado, estimulando o trabalho cooperativo, a autonomia, o pensamento crítico e a criatividade. Enfim, tudo aquilo que procuramos para desenvolver nos alunos as habilidades necessárias para esses nossos tempos.

Hoje vou apresentar o HyperDuino, um conjunto de recursos que se propõe a produzir melhorias na aprendizagem viabilizando a construção de atividades interativas que integram os mundos físico e virtual através do uso de vídeos, internet, sensores e LEDs.

HyperDuino estende as capacidades da interface Arduino, simplifica a lógica de programação e facilita as conexões com os diversos componentes, eliminando a necessidade de resistores e protoboards.  Para comparar, apresentamos a seguir dois circuitos que têm a  mesma função, o primeiro construído no esquema tradicional e o segundo utilizando HyperDuino.

Circuito tradicional usando Arduino:

Circuito sem utilizar o HyperDuino - mais complexo
Circuito sem utilizar o HyperDuino – mais complexo

Circuito com a mesma funcionalidade usando o HyperDuino:

Circuito usando o HyperDuino - mais simples
Circuito usando o HyperDuino – mais simples

Para simplificar o entendimento da aplicabilidade do HyperDuino, ao invés de detalhar as partes do produto e descrever suas possibilidades, irei demonstrar o funcionamento do projeto Quilombos da Paraíba desenvolvido sob assessoria do Thornburg Center, um conceituado centro norte-americano de consultores voltado para a aplicação de tecnologias na educação.

A demonstração está dividida em dois curtos vídeos:

 1) O primeiro vídeo se refere ao planejamento pedagógico

 

 

2) O segundo vídeo demonstra um projeto realizado

Como conclusão, temos que o HyperDuino, de fato, constitui uma fonte rica e simplificada para inserção de conceitos eletroeletrônicos e para a exploração de atividades interativas, tratando-se de recurso indispensável para makerspaces e demais abordagens que estimulem a criatividade e o pensamento STEM.

Este foi apenas um pequeno exemplo do potencial de uso do HyperDuino na Educação. Em breve trarei outros artigos sobre o produto. Espero que apreciem.

 

© Copyright 2016 Blogue Sobre Essas Coisas – Todos os direitos reservados

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/09/27/tecnologia-educacional-atividades-interativas-com-hyperduino/feed/ 0
A teoria das janelas quebradas http://renatoguedes.com.br/2016/08/26/a-teoria-das-janelas-quebradas/ http://renatoguedes.com.br/2016/08/26/a-teoria-das-janelas-quebradas/#respond Fri, 26 Aug 2016 15:01:56 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=77 O que levou respeitáveis cidadãos do Vale do Silício a um processo de vandalismo coletivo, comparando-se aos habitantes de um distrito com os piores indicadores sociais de Nova York? Entenda a teoria que fez do termo “janela quebrada” uma metáfora para sinais de desordem, negligência ou decadência social, inspirou modelos educacionais e suscitou argumentos para a formulação de uma das mais importantes teorias sobre o crime dos últimos tempos.

 

A teoria das janelas quebradas é uma história um pouco antiga e um tanto conhecida, mas decidi falar sobre ela porque nos faz pensar na natureza humana, nas condutas sociais e em como podemos ser influenciados pelo que fazemos e também por aquilo que deixamos de fazer dentro de uma comunidade. Na sequência, conversaremos sobre as implicações e aplicações dessa teoria no contexto educacional.

Antes de chegar na teoria, vamos conhecer um experimento relatado há décadas pelo Prof. Philip Zimbardo, um psicólogo e professor emérito da Universidade de Stanford.

 

O experimento de Zimbardo

Em 1969, Zimbardo simulou o abandono de dois automóveis da mesma marca, modelo e cor em áreas com populações muito diferentes. O primeiro foi deixado no coração do Bronx, distrito de Nova York então conhecido pela criminalidade elevada e pelo grande número de conflitos entre seus habitantes. O segundo foi largado em Palo Alto, uma próspera cidade californiana encravada no vale do silício, região que a partir de 1950 viria a se tornar símbolo das inovações científicas e tecnológicas. De ambos os veículos foram retiradas as placas e os capôs foram deixados abertos. Especialistas da psicologia social ficaram observando os acontecimentos em cada local.

Bem, no Bronx, não foi preciso esperar muito para que algo acontecesse.  Em apenas vinte e quatro horas todas as peças de valor do carro haviam sido levadas, começando por uma família formada por pai, mãe e um filho jovem, que chegaram ao local em dez minutos. Quando já desprovido de valor econômico, o carro se tornou fonte de entretenimento para as crianças e teve os vidros quebrados, os estofados rasgados e a pintura riscada, reduzindo o veículo a uma espécie de lixo. Levaram o que poderia ter alguma utilidade ou valor comercial e destruíram o que sobrou.

Enquanto isso, em Palo Alto, mesmo após uma semana de abandono o veículo permanecia intocado, tal como fora deixado.  Até aí tudo parecia indicar que a diferença do perfil social e educacional dos moradores das duas regiões seria fator determinante para tal desfecho. Foi quando o Prof. Zimbardo, às vistas de todos, quebrou um vidro do carro com uma marreta. Logo vieram outras pessoas para fazer o mesmo e em poucas horas o carro tinha sido virado de cabeça para baixo e também estaria totalmente destruído, da mesma forma que o carro no Bronx.

Pois é, parece que os ilustres habitantes da próspera cidade de Palo Alto só precisavam de um empurrãozinho para se comportarem tal qual os “vândalos” do pobre Bronx. Vamos pensar um pouco sobre isso…

De antemão, podemos inferir que a pobreza e os indicadores de desenvolvimento não seriam suficientes para explicar o processo delituoso, haja vista que o vandalismo também ocorreu em uma comunidade supostamente segura como Palo Alto. Registra-se que nas duas cidades a maioria das pessoas que participaram das ações estava bem vestida, limpa e tinha pele clara, um estereótipo diferente daquele que se podia esperar à época para candidatos a esse tipo de delito. Então, só restou buscar as razões para tal tipo de comportamento nas relações sociais e na psicologia humana.

Acontece que um veículo abandonado e danificado na rua transmite às pessoas um sentimento de desinteresse, de ausência de propriedade, tal como um lixo qualquer. Nessas condições, quando as barreiras impostas pelo senso de respeito mútuo e obrigações de civilidade são diminuídas por ações que parecem sinalizar que ninguém se importa, os códigos de convivência instituídos parecem perder relevância sugerindo às pessoas que podem ser quebrados, como se até a própria lei não fosse aplicável nesses casos.

O fato de se tratar de uma ação coletiva também provoca uma sensação de cumplicidade, de grupo de iguais ou de afinidade, de aprovação pelos demais membros da comunidade. Cada novo golpe parece reforçar e amplificar esse sentimento, invocando reações cada vez mais enérgicas que podem até culminar num processo irracional e incontrolável.

Como o Bronx é um distrito com uma experiência passada de região malcuidada, um tanto ignorado pelo poder público, com maior incidência de brigas, roubos, danos a propriedades e carros descartados nas ruas, o vandalismo começou rapidamente, justamente porque o sentimento de abandono já estava culturalmente arraigado na população. Já em Palo Alto, onde, em geral, as pessoas zelam pelas suas propriedades, o governo cuida adequadamente dos bens públicos e sabe-se que o comportamento malicioso pode ter sérias implicações, o vandalismo só começou mediante o incentivo proposital do Prof. Zimbardo.

 

A teoria de James Q. Wilson e George Kelling

O experimento de Zimbardo foi um dos estímulos para o artigo acadêmico na área da criminologia intitulado broken windows (janelas quebradas), publicado em 1982 pelos cientistas sociais James Q. Wilson e George Kelling. A teoria das janelas quebradas teve um enorme impacto no âmbito das ciências sociais e nas políticas públicas nas últimas décadas do século passado e mantém-se influente no século 21, tendo sido utilizada como motivação para várias reformas na política criminal.

No artigo de Wilson e Kelling, a teoria é descrita a partir da metáfora de que se uma janela quebrada de um edifício permanece sem reparo, vândalos quebrarão as janelas restantes desse edifício em pouco tempo. Mais que isso, a teoria demonstra uma forte relação entre desordem e incivilidade com a ocorrência de crimes mais graves.

A teoria das janelas quebradas presume que há maior incidência de delitos nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores, justamente porque ambientes nessas condições estimulam a depredação e a criminalidade, tais como convites para o crime. Assim, se uma comunidade apresenta sinais de deterioração e ninguém se importa, ali nascerá o delito. Se pequenas faltas são admitidas, faltas e delitos mais graves as sucederão. Se crianças se acostumam a presenciar cenas de violência elas tendem se tornar adultos violentos.

Reparem que há uma certa inversão de ordem no argumento. Nos acostumamos a pensar que uma área suja e malcuidada é assim porque reflete o grau de civilidade dos seus moradores, enquanto a teoria conclui que o abandono e a falta de cuidado são os verdadeiros precursores da incivilidade, da desordem e, consequentemente, dos delitos. Ela valoriza a importância do meio sobre o homem para o comportamento social.

Com base na teoria das janelas quebradas, Rudy Giuliani, o então prefeito da cidade de Nova York nos anos 1990, implantou a política da “tolerância zero”, primeiro no metrô, depois em toda a cidade, acabando por reduzir drasticamente os índices de criminalidade e colocando Nova York na lista das cidades seguras. A partir dessa política, qualquer contravenção ou delito, por menor que fosse, passou a ser combatido. Jogar lixo no chão, embriaguez, fumar em local proibido, usar transporte público sem pagar, pichações… nada mais ficou impune.

Em contrapartida, o governo também passou a fazer a parte dele com maior empenho e rigor sinalizando para a população que tinha alguém no comando, alguém que se importava com a cidade e que estava de olho em tudo. Assim, aumentou o efetivo policial nas ruas, passou a zelar pelos princípios éticos na esfera pública e a cuidar melhor dos serviços e bens comuns.

Gostaria de chamar a atenção para o real sentido dessa política, pois seu objetivo não é linchar o delinquente. A tolerância é zero em relação ao delito, não em relação à pessoa que o comete. Trata-se, portanto, de criar comunidades limpas e ordenadas que respeitem as leis e os códigos básicos da convivência social.

 

Conclusão

O experimento do Prof. Philip Zimbardo demonstrou que até mesmo pessoas cumpridoras da lei, que não se imaginam em atitudes socialmente condenáveis, podem ser instadas a atos insanos, seja para divertimento ou pilhagem. Segundo ele, o mal “repousa dentro das pessoas” e somente uma em cada dez pessoas permanece imune às situações que poderiam levá-las a agir de forma má, ou seja, a grande maioria das pessoas é capaz de cometer atrocidades e atos de intensa maldade dependendo das circunstâncias que são oferecidas.

A teoria das janelas quebradas postula que se formos complacentes com a sujeira, a desordem e os pequenos delitos estaremos criando condições para que delitos de maior gravidade venham a ocorrer. Dessa forma, para implantar uma cultura social de civilidade em uma comunidade precisamos bloquear os pequenos desvios. Cabe a máxima para que o mal floresça basta que o bem não faça nada.

Pelo caso da cidade de Nova York percebemos que não foi apenas a “tolerância zero” com os crimes e contravenções que fez dela uma cidade melhor. Na verdade, esse foi o resultado de um conjunto de ações que começou pela mudança de atitudes da própria prefeitura com suas obrigações e culminou na sedução dos seus habitantes por um movimento em prol de viver melhor em uma cidade mais cuidada e segura.

Assim, precisamos considerar a existência de estímulos diferentes para o sucesso de qualquer política de tal natureza, pois, a cobrança ou mesmo a punição por pequenas falhas somente se torna admissível em havendo uma contrapartida de coerência e responsabilidade do gestor. Reparem que o compromisso do poder público com a população de Nova York foi essencial para o sucesso da implantação daquela política.

Cumpre informar que existem muitos críticos para a “tolerância zero” de Nova York, inclusive os que veem nela uma licença social para o desrespeito aos direitos civis de negros e hispânicos, principais alvos das abordagens policiais preventivas que param, questionam e revistam cidadãos nas ruas sem um motivo concreto.

Bem, como vimos, a teoria das janelas quebradas nos fala sobre formação de cultura, disciplina, limites, convivência e responsabilidades, entre outras coisas. Dessa forma, é natural que ela também tenha gerado repercussões no meio educacional e empresarial. Esse tema será abordado no próximo artigo, onde conversaremos sobre as implicações da teoria das janelas quebradas na educação.

Em meio a tantas notícias de corrupção e criminalidade em nosso país, deixo para pensar: até onde as pequenas falhas que cometemos ou admitimos no dia a dia contribuem para modelar a nossa sociedade?

Reflitam sobre tudo isso e, por favor, não quebrem janelas, ok?

 

Talvez você se interesse por ler:

Tem um Pikachu na sala de aula. E agora?
Pokémon Go: ameaça ou oportunidade para as escolas?

 

Referências:

http://www.manhattan-institute.org/pdf/_atlantic_monthly-broken_windows.pdf

http://en.wikipedia.org/wiki/Broken_windows_theory

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/08/26/a-teoria-das-janelas-quebradas/feed/ 0
Tem um Pikachu na sala de aula. E agora? http://renatoguedes.com.br/2016/08/07/tem-um-pikachu-na-sala-de-aula-e-agora/ http://renatoguedes.com.br/2016/08/07/tem-um-pikachu-na-sala-de-aula-e-agora/#respond Sun, 07 Aug 2016 19:28:34 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=120 Tem um Pikachu na sala de aula. E agora?
Pokémon Go: ameaça ou oportunidade para as escolas?

Agora não tem mais jeito: no dia 3 de agosto, o Pokémon Go foi oficialmente lançado no Brasil e logo terá milhões de aficionados prontos para capturar Pokémon em todos os lugares, conforme já acontece em outras partes do mundo. Inevitavelmente, nossos alunos embarcarão nessa onda. Para nós, educadores, o game mais esperado dos últimos tempos poderá representar um novo catalisador de indisciplina e distração para os estudantes ou se tornar um poderoso recurso para estimular a aprendizagem. Dependerá de como tratarmos a questão.

 

Entendendo o jogo

Primeiro, vamos entender porque esse jogo tão amado pelos jovens é diferente dos demais.

Pokémon é a forma reduzida para Pocket Monsters, personagens criados pela empresa japonesa Nintendo nos anos 1990. O Pokémon Go é um jogo para celulares Android e iPhone desenvolvido pela empresa Niantic que utiliza esses mesmos personagens.  Integrado a um sistema de mapas e de localização, o game recorre à técnica de realidade aumentada para inserir os Pokémon nas imagens vistas através da câmera do smartphone, tal como na foto que ilustra este artigo.

O primeiro objetivo do jogo é localizar e capturar os Pokémon que estão espalhados pelo mundo – quanto mais monstrinhos o jogador capturar, melhor. Como os Pokémon podem estar em qualquer lugar, em ambientes abertos ou fechados, para encontrar um Pokémon é necessário se deslocar pela cidade olhando pela tela do jogo.

Para se tornar um Mestre Pokémon os jogadores, juntos com seus Pokémon, precisam ganhar disputas contra outros jogadores para controlar o maior número possível de espaços que são chamados de ginásios, normalmente situados em praças ou parques reais da cidade. Para que as disputas aconteçam, é necessário que o jogador se desloque até esses ginásios.

Atualmente, existem mais de setecentas espécies diferentes de Pokémon, com nome e características próprias. Alguns são encontrados facilmente, até mesmo dentro da nossa casa, mas para capturar os mais raros pode ser necessário utilizar técnicas e ferramentas especiais (que podem não ser gratuitas). Temos assistido a cenas surreais de centenas de pessoas correndo para a provável localização de Pokémon raros.

No jogo também existem os Pokéstops que são localidades do mundo real, tais como estabelecimentos comerciais, museus e atrações públicas, onde é possível obter Pokéballs virtuais, um recurso necessário para capturar Pokémon.

 

A educação diante do fenômeno Pokémon Go

Vamos combinar que são inegáveis diversos benefícios advindos do uso dos games. Os jogos digitais podem despertar a curiosidade dos alunos, aguçar a coordenação motora, aprimorar o reconhecimento de padrões e fortalecer atitudes e habilidades, tais como resolução de problemas, resiliência e trabalho cooperativo, além de proporcionar a metacognição, que é a capacidade de refletir sobre o próprio pensamento no sentido de organizar, revisar e modificar processos e estratégias em função dos resultados obtidos.

Pokémon Go é o primeiro jogo do mercado que utiliza realidade aumentada a se tornar popular – aliás, muito popular. Diferentemente da grande maioria dos games e redes sociais que está por aí, ele não cria uma situação de afastamento e isolamento social. Pelo contrário, obriga que os jogadores saiam de casa e caminhem, incentivando-os ao contato real com outros jogadores.

Na verdade, grande parte o sucesso do Pokémon Go se deve, justamente, por ter conseguido misturar o mundo real com o virtual de forma tão simples. Até então, em quase todos os jogos disponíveis no mercado a dinâmica consistia em mover um avatar virtual em um mundo virtual delineado por um mapa virtual. Em Pokémon Go é diferente: o jogador está localizado dentro do jogo via GPS, em tempo real.

Não obstante as preocupações com segurança e privacidade, a popularidade do Pokémon Go é um fenômeno cultural e tudo indica que deve ser abraçado pelos educadores, pois a fixação dos alunos pelo jogo costuma ser imediata e inevitável. Assim, tirar proveito dessa situação e criar condições para incentivar o aprendizado é o que de melhor podemos fazer. Encarando o jogo como um recurso interdisciplinar encontraremos inúmeras possibilidades de trabalho, com destaque para as habilidades de mapeamento, estudos sociais, história local, matemática e redação.

Se você é um educador ligado em tecnologias, eis mais um recurso com potencial educativo a ser explorado.  Por outro lado, se você é um educador sem muita familiaridade com tecnologias, se não se vê baixando e instalando o Pokémon Go no seu celular, não se preocupe, pois ainda assim você poderá usar o Pokémon a seu favor e propiciar atividades educativas originais e interessantes, bastando saber conduzir seus alunos para os objetivos desejados.

 

Alguns exemplos de atividades:

  1. Sem sequer utilizar o aplicativo do Pokémon Go, é possível empregar a lógica do jogo para criar atividades educativas. Por exemplo, podemos selecionar um tema, tal como animais, planetas e astros ou países e pedir aos alunos para que criem uma enciclopédia com figuras capturadas na internet, tal como no Pokédex do game. Ainda inspirado no jogo, podemos ampliar essa atividade promovendo batalhas de conhecimentos que podem ser realizadas entre os alunos.
  2. Na área de alfabetização, leitura e escrita, podemos pedir aos alunos para salvar a imagem da tela dos smartphones no momento em que capturarem um monstrinho e criar uma história utilizando a sequência de imagens obtidas. Depois, os alunos podem compartilhar as histórias com os colegas, apresentando-as para a turma. Logicamente, para obter melhores resultados os alunos precisarão ter acesso a ferramentas para planejar, preparar e produzir as suas histórias.
  3. Em relação a estudos sociais e história local, como muitos Pokéstops estão localizados em museus, prédios históricos e atrações turísticas, realizar expedições a essas localidades criará uma oportunidade para gerar muitas conversas e relatos interessantes, além de permitir aos estudantes avançarem mais no jogo, é claro.
  4. Com ou sem expedição, uma forma de expandir a atividade do item 3 é pedir para os alunos criarem e postarem fotos em 360º dos locais históricos ou turísticos visitados por eles, descrevendo o que aprenderam sobre o local. O Google Street View é uma boa opção para gerar esse tipo de foto usando apenas o celular.
  5. Quer ampliar ainda mais a atividade com fotos em 360º? Dê uma olhada no Google Cardboard. Através desse recurso é possível ter uma experiência imersiva a partir da foto gerada. Os alunos irão adorar.
  6. Quanto à matemática, o Pokémon Go tem um jornal, uma espécie de agenda, onde automaticamente são registradas a data e a hora de captura dos Pokémon e de coleta de Pokéballs. A partir dessas informações podemos introduzir atividades para familiarizar os alunos com manipulação, análise e apresentação de dados, utilizando princípios de estatística, planilhas, gráficos clássicos e infográficos.
  7. Por causa da integração do game com o Google Maps, a possibilidade de trabalhar conhecimentos básicos em relação a mapas, direções cardeais, distâncias e navegação também é muito forte.
  8. Na área de Ciências também encontramos utilidade para o jogo desde que as espécies de Pokémon estão relacionadas a habitats específicos. Isso mesmo, têm monstrinhos que vivem em áreas molhadas, outros em desertos, etc. Esse pode ser um bom caminho para explorar as características dos diversos habitats de forma atraente para os alunos.

Bem, esses são apenas alguns exemplos de atividades, mas as possibilidades de trabalho são muito amplas. Se você tiver outras ideias de atividades usando o Pokémon Go e desejar compartilhar conosco poderá ajudar a inovar as práticas na sala de aula. Escreva pra gente.

 

O Pikachu

A propósito, quanto ao Pikachu ilustrado e referenciado no título deste artigo, ele é o monstrinho número 25, pertencente à primeira geração de Pokémon, do tipo elétrico, tem 40 cm de altura e pesa 6 kg. Suas bochechas são bolsas de armazenamento de energia elétrica que são carregadas durante a noite, enquanto dorme. Entendeu como é?

Mas, afinal, e se aparecer um Pikachu na sala de aula? O que fazer? Bem, o professor é o maestro, o regente da aula e da turma. Cabe a ele estabelecer um contrato tácito de convivência com os alunos desde os primeiros dias de aula. Uma vez que as regras de conduta estejam claras e niveladas com todos, basta segui-las. De certo, é que Pokémon Go só deve ser jogado na escola quando e se permitido. Agora, entre proibir celulares ligados durante a aula a se atirar ao chão para capturar o Pikachu antes que os alunos, certamente há algumas opções menos radicais.

 

Precauções

Apesar de todas as oportunidades que o Pokémon Go pode proporcionar no meio educacional, precisamos ficar atentos porque o jogo talvez não surta o mesmo apelo magnético em todos os alunos, podendo até ser desinteressante para alguns. Cabe aos educadores monitorar, identificar e criar estratégias de apoio ou mesmo diferenciadas para esses casos.

Outro ponto é que devemos ficar atentos a alguns alertas de segurança: o Pokémon Go compartilha informações de localização entre os jogadores, já havendo relatos de uso indevido de dados pessoais e de ladrões que usaram o game para atrair vítimas a lugares desertos para assaltá-las. Portanto, além de orientar nossos filhos e alunos sobre os cuidados com lugares isolados e contato com pessoas desconhecidas, é bom monitorar por onde andam nossos jogadores, pois eles podem sair por aí a esmo, ensandecidos, para capturar Pokémon.

Também existe certa cautela quanto ao marketing por trás do produto, uma vez que a Nintendo deverá, em breve, permitir que as empresas adquiram ou patrocinem Pokéstops como forma de aumentar o fluxo de pessoas para seus estabelecimentos.

 

 

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/08/07/tem-um-pikachu-na-sala-de-aula-e-agora/feed/ 0
V Conbratri http://renatoguedes.com.br/2016/07/28/v-conbratri/ http://renatoguedes.com.br/2016/07/28/v-conbratri/#respond Thu, 28 Jul 2016 17:49:31 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=73 Olha aí, pessoal:

A Associação Brasileira de Avaliação Educacional – ABAVE  anunciou no dia 15/07/2015 a realização do V Congresso Brasileiro da Teoria de Resposta ao Item (V CONBRATRI). Ele acontecerá em Campinas-SP, de 30 de novembro a 2 de dezembro de 2016, na Universidade São Francisco (USF) – unidade Swift.

O tema dessa edição do congresso será “Avaliação formativa (formative assessment)”. Durante o evento, estarão disponíveis aos participantes diversas atividades, dentre elas: um minicurso (Equações Estruturais) e um workshop (Cognitive Diagnostic Modeling), conferências nacionais e internacionais, além de sessões de apresentações orais e em formato de pôsteres.

Seguem as informações definidas até o momento:

Conferencistas confirmados:

Hua-hua Chang (University of Illinois – Urbana Champaign)
Jimmy de La Torre (University of Hong Kong)
Lúcia Pereira Barroso (IME – USP)
Matthias Von Davier (Educational Testing Service – ETS)
Ricardo Primi (USF)
Walter L. Leite (University of Florida)

 

Datas importantes:

Início das submissões: 22 de agosto de 2016 (2a feira)
Término das submissões: 23 de setembro de 2016(6a feira)
Divulgação do resultado: 14 de outubro de 2016(6a feira)

 

Formato das submissões:

Apresentações orais – enviar o trabalho com um máximo de 20 páginas (incluindo filiação dos autores, resumo de até 200 palavras, palavras-chaves e referências)
Apresentações pôsteres – enviar o trabalho com um máximo de 5 páginas (incluindo filiação dos autores, resumo de até 200 palavras, palavras-chaves e referências)

Detalhes da programação e modelos para submissão de trabalhos estarão disponíveis em breve no site http://abave.com.br/vconbratri.

 

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/07/28/v-conbratri/feed/ 0
Zigo Educação http://renatoguedes.com.br/2016/07/21/zigo-educacao/ http://renatoguedes.com.br/2016/07/21/zigo-educacao/#respond Thu, 21 Jul 2016 18:04:10 +0000 http://renatoguedes.com.br/?p=45 É com satisfação que anuncio o início de uma parceria com o Zigo Educação (www.zigoeducacao.com.br), um centro de pesquisa e inovação líder na área de tecnologia educacional. Acredito que renderá bons frutos.

O Zigo conta com a participação de algumas mentes brilhantes que amam ensinar, aprender, inovar, colaborar e compartilhar conhecimentos. Sua equipe multidisciplinar contempla consultores, pesquisadores e orientadores educacionais e técnicos especializados que integram os núcleos de pesquisa, pedagogia e tecnologia.

A parceria com o blog Sobre Essas Coisas viabilizará a produção de ensaios de novos recursos para uso educacional, a geração de resenhas (reviews) e o oferecimento de cursos inovadores nos modelos a distância, presencial ou combinado.

]]>
http://renatoguedes.com.br/2016/07/21/zigo-educacao/feed/ 0